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Antigos líderes mundiais pedem impostos mais pesados para os super-ricos ao G20

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Quase 20 antigos chefes de Estado e primeiros-ministros enviaram uma carta aos líderes do G20 a pedir apoio para instituir um imposto global sobre as fortunas das pessoas mais ricas do mundo. Numa carta aberta tornada pública esta quinta-feira, 11 de Julho, os 19 signatários defendem que “todos os Governos devem tributar os ultra-ricos” e “todos os países podem actuar”. “A acção nacional é indispensável. Temos de tributar os rendimentos dos multimilionários em todos os países”, diz o documento.

Entre os signatários da carta aberta, todos eles membros do Club de Madrid — uma instituição que reúne antigos líderes de mais de 70 países ​—, estão José Luis Rodríguez Zapatero, presidente do Governo espanhol entre 2004 e 2011; Dominique de Villepin, primeiro-ministro de França entre 2005 e 2007; e Giorgios Papandreou, antigo primeiro-ministro da Grécia entre 2009 e 2011.

Não há portugueses entre os signatários, apesar de José Manuel Durão Barroso, Aníbal Cavaco Silva e António Guterres também serem membros do Club de Madrid.

Na missiva, os antigos chefes de Estado e líderes governamentais criticam que, com uma tributação que simboliza apenas 0,5% das suas fortunas, “os ultra-ricos em todo o mundo paguem uma taxa de imposto menor do que professores e profissionais da limpeza”. Essa é uma das raízes da “desigualdade extrema”, consideram os signatários: “Biliões de dólares que poderiam ter sido investidos produtivamente nas comunidades, em educação, saúde e infra-estruturas foram, em vez disso, improdutivamente acumulados pelos ultra-ricos.”

Agora, e com a proposta apresentada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, e pelo líder brasileiro Lula da Silva para criar um novo imposto sobre as grandes fortunas, há “uma rara oportunidade estratégica” para corrigir essa situação: a criação de uma tributação global, além-fronteiras, para arrecadar milhões de euros aos mais ricos. “A acção nacional por si mesma só pode ir até certo ponto. O capital global não respeita fronteiras nacionais. A evasão fiscal pelos ultra-ricos tem sucesso quando os Governos não conseguem trabalhar juntos. Precisamos de cooperação global”, apelaram os signatários.

A medida seria “um tiro no braço para o multilateralismo” que “ajudaria as nossas economias a serem mais produtivas e resilientes perante as crises” e “aliviaria a carga tributária sobre as classes trabalhadoras”, argumentaram os 19 membros do Club de Madrid. Num apelo directo aos membros do G20, que reúne as maiores economias do mundo, os signatários pediram uma “liderança mundial para um novo consenso sobre tributação”: “Vocês lideram as economias mais poderosas do mundo e, neste momento de mal-estar político e económico, podem ser os pastores do progresso e da mudança.”



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