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Morreu Shelley Duvall, a esposa aterrorizada de The Shining

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O rosto da actriz Shelley Duvall, falecida esta quinta-feira aos 75 anos de idade, tornou-se indissociável da sua expressão de terror nas fotos de rodagem do filme de Stanley Kubrick O brilho. “Uma experiência que não trocaria por nada”, como disse a actriz numa entrevista, “porque era o Stanley, e porque foi uma aprendizagem fascinante. Mas não quereria voltar a ter uma experiência assim”.

E, de facto, não teve. A actriz que foi uma das maiores descobertas do cinema americano dos anos 1970, trabalhando com Robert Altman e Woody Allen, vencendo o prémio de interpretação feminino em Cannes em 1977 por Três Mulheresdedicar-se-ia essencialmente à televisão para crianças nos anos 1980 como produtora, fazendo pontuais aparições como convidada em séries como As Teias da Lei ou aceitando papéis secundários em filmes como Os Ladrões do Tempo, de Terry Gilliam (1981), Roxanede Mick Jackson (1987) ou Retrato de uma Senhorade Jane Campion (1996).

Nascida em 1949 no Texas, Shelley Duvall, filha mais velha de um advogado e de uma mediadora imobiliária (e sem parentesco de espécie nenhuma, apesar do apelido, com o actor Robert Duvall), não tinha experiência nem particular vocação para a representação. Mas a energia que a actriz emitia, bem como a sua presença desengonçada e excêntrica, cativou Robert Altman, que estava em 1970 no Texas a rodar Brewster McCloud, e que a convidou a entrar no filme.

Seria o primeiro dos sete filmes em que Altman a dirigiu, seguindo-se-lhe em rápida sucessão A Noite Fez-se para Amar (1971, com Warren Beatty e Julie Christie), Todos Somos Ladrões (1974), o filme-mosaico Nashville (1975), Buffalo Bill e os Índios (1976) e Três Mulheres (1977), onde contracenava com Sissy Spacek e Janice Rule, e que levaria ao convite de Stanley Kubrick para o papel principal feminino da sua adaptação de Stephen King, ao lado de Jack Nicholson. Nesse mesmo período, Duvall entrou em Anne Hall de Woody Allen (1977) e foi companheira do cantor e compositor Paul Simon.

Já depois da “tortura” que foi Brilhando — treze meses de rodagem tensa durante os quais Kubrick “antagonizou” o elenco e na qual Duvall e Nicholson repetiram 127 vezes (!) a cena do taco de basebol — Altman dirigi-la-ia uma última vez, no papel de Olívia Palito na sua mal recebido Popeye (1980), uma extravagância musical com canções de Harry Nilsson e Robin Williams no papel do marinheiro criado pelo cartoonista E. C. Sagar.

Desde 2002 que Shelley Duvall estava “retirada” da representação, vivendo pacatamente no seu Texas natal com o músico Dan Gilroy, seu companheiro desde 1989.



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